Vacina contra gonorreia pode estar próxima, dizem pesquisadores

Solange Maria Deleposte 2019-02-19 02:47:32 às 05:21 Solange Maria Deleposte
Vacina contra gonorreia pode estar próxima, dizem pesquisadores

Uma vacina contra a gonorreia pode estar mais próxima, segundo pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon. Em um estudo, eles conseguiram mapear as proteínas de diferentes cepas das bactérias causadoras da doença e se aproximaram tanto de uma vacina quanto de entender por que estas bactérias são tão boas em combater os remédios existentes para o tratamento. As descobertas, publicadas na revista científica Molomular and Cellular Proteomics, são especialmente importantes, uma vez que o micróbio, Neisseria gonorrhoeae, é considerado uma superbactéria devido à sua resistência a todas as classes de antibióticos disponíveis para o tratamento de infecções. A gonorreia, uma doença sexualmente transmissível que resulta em 78 milhões de novos casos em todo o mundo a cada ano, é altamente prejudicial se não tratada ou tratada indevidamente. Pode levar a endometrite, doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica, epididimite e infertilidade. Bebês nascidos de mães infectadas estão em maior risco de cegueira. Até 50% das mulheres infectadas não apresentam sintomas, mas os casos assintomáticos ainda podem levar a consequências graves para a saúde reprodutiva do paciente, aborto espontâneo ou parto prematuro. O estudo Aleksandra Sikora, pesquisadora da Faculdade de Farmácia da Universidade Estadual do Oregon, ajudou a liderar uma colaboração internacional que realizou perfis proteômicos- todas as proteínas produzidas por qualquer organismo- de 15 cepas gonocócicas. Entre os isolados do estudo estavam as cepas de referência mantidas pela Organização Mundial de Saúde, que mostram todos os perfis conhecidos de resistência antimicrobiana gonocócica. Como funciona a vacina? Os pesquisadores encontraram mais de 1.600 proteínas comuns entre as cepas e, a partir delas, nove novas vacinas candidatas foram identificadas. Uma vacina funciona através da introdução de uma proteína invasora, conhecida como um antígeno, que aciona o sistema imunológico do corpo e, posteriormente, ajuda a reconhecer e atacar rapidamente o organismo que produziu o antígeno. Os pesquisadores também encontraram seis novas proteínas que foram expressas de forma distinta em todas as cepas, sugerindo que são marcadores ou desempenham papéis na resistência a drogas e, portanto, podem ser alvos eficazes para novos medicamentos. Além disso, os cientistas analisaram a conexão entre o fenótipo bacteriano - as características e comportamento observáveis ​​dos micróbios - e as assinaturas de resistência que o estudo das proteínas revelou. Eles encontraram sete agrupamentos fenotípicos correspondentes entre assinaturas já conhecidas e aquelas descobertas por análise proteômica. Juntas, as descobertas representam um passo fundamental em direção a novas armas na luta contra um patógeno implacável e em constante evolução. Criamos um banco de dados de proteômica de referência para pesquisadores que examinam vacinas gonocócicas e também resistência antimicrobiana — Aleksandra Sikora, co-autora do estudo As descobertas acrescentam novo impulso a uma pesquisa de vacinas que também recebeu um impulso no verão de 2017, quando um estudo na Nova Zelândia mostrou que pacientes que receberam a vacina meningocócica B com vesícula de membrana externa eram 30% menos propensos a contrair gonorreia do que aqueles que não receberam a vacina. Todos os testes anteriores de vacinas falharam, disse Sikora. A gonorréia e a meningite meningocócica têm diferentes meios de transmissão e causam diferentes problemas no organismo, mas seus patógenos-fonte são parentes genéticos próximos. Fonte: http://siganoticias.com/novo-post.html?tipo=2

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